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Bem vindos ao blog do Frei Flávio Henrique, pmPN

Caríssimos(as),
é, sim, nosso objetivo, "provocar" a reflexão para poder confrontar o modelo mental instalado e o paradigma de conhecimento que se arrasta há mais de cinco séculos, na esteira do renascentismo, do humanismo, da reforma protestante, do iluminismo e de todo processo de construção do conhecimento que atenta contra a Razão sadia - que inexiste sem o discurso metafísico - e contra a Verdadeira Fé, distorcida pelos pressupostos equivocados das chamadas nova exegese e nova teologia. (Ler toda introdução...)


* "PROVOCAÇÕES" MAIS ACESSADAS (clique no título):

*1º Lugar: Arquidiocese de Juiz de Fora reconhece avanço da Obra do Pater Noster...

*2º Lugar: Lealdade, caráter e honestidade... no fosso de uma piada!

*3º Lugar: Fariseu ou publicano, quem sou?

*4º Lugar: Retrospectivas e balanços de fim de ano...

*5º Lugar: “A sociedade em que vivemos”: um big brother da realidade...

* "PROVOCAÇÕES" SUGERIDAS:

*Em queda livre na escuridão...

*Somos todos hipócritas... em níveis diferentes, mas, hipócritas!

*Vocação, resposta, seguimento...

*O lugar da auto piedade...

*A natureza íntima da corrupção...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A natureza íntima da corrupção...

Em 1988 emergiu do Planalto Central a tão esperada Constituinte, por parte da ânsia de liberdade social... Quem não viu, já ouviu dizer da comoção nacional em torno da conquista democrática... Venceu o consenso e o “bom senso” dos mocinhos da oposição negociada com a situação...

A esfera do jogo político começa a girar seu eixo lentamente para a outra face do poder. Num movimento constante e progressivo ela vai deixando para trás o rigor tenaz da moralidade fardada de extrema-direita.

O forte verde oliva da esperança nacional vai ganhando, pouco a pouco, o dégradé amarelado do relaxamento consentido do novo poder - não mais de extremo, mas - de centro-direita, ainda capaz de fazer frente às forças de centro-esquerda.

A esquerda, correndo para o oportunismo do centro de ocasião, por sua vez, se fazia capaz de somar sob a mesma capa todos os ideólogos radicais do, ainda, naquele momento, imponente dogma marxista aninhado como força de Estado a partir de todo leste europeu.

Embora a truculência desta vertente tenha começado a trincar seu cetro de ferro com a perestroika (a partir de 1985), o muro de Berlim ainda não tinha partido... ou melhor, os Partidos que emergiam da despressurização belicosa entre as extremas direita (americana) e esquerda (russa), eram a prévia das marretadas da perestroika no centro dos totalitarismos de um e de outro lado.

As corrosões internas da extrema-direita e da extrema-esquerda estavam numa fase irreversível.

A República do Brasil, ainda com todo vigor da sua juventude, fez uma ponte constitucional no centro (ainda invisível aos olhos do mundo, a saber: a Constituinte de 1988) entre dois mundos avessos: o capital aberto da América e o trabalho fechado da União Soviética.

Na queda de braço entre Titãs, um lado tinha que começar a ceder... e começou, felizmente, com a queda da cortina de ferro no início da segunda metade da década de 80, e seu total esfacelamento no fim da segunda metade da mesma década.

Em 09 de novembro de 1989 o mundo inteiro assistiu ao vivo e a cores o desmoronamento do muro de Berlim, último marco da dominância da extrema esquerda.

Mas a extrema direita não resistiu também... teve que dobrar a crista e recuar no avanço nuclear...

E tudo isto se fez sentir de modo embrionário na Nova Constituição da República tupiniquim... Uma espécie de terceira via conciliatória, uma síntese hegeliana entre dois extremos geraram dois grandes centros... um alinhado à direita... outro à esquerda...

O consenso entre opostos parecia se amalgamar no tecido social após o susto da possibilidade de uma estúpida hecatombe nuclear. Bastaria um deslize de inconseqüência advindo do stress de um dos extremos radicais (direita e esquerda) para que ela se principiasse.

Mas, a juvenil República verde oliva, como disse acima, sai na frente, embora, ainda, não percebido o seu pioneirismo no cenário internacional e visto com desconfiança no cenário nacional pelos radicais das duas alas. Mas ela sai na frente e ganha tons dégradés de amarelo, amenizando a soberania militarizada no topo do Poder...

No princípio a extrema-direita estava derrotada e a extrema-esquerda continuava banida...

As principais lideranças de centro-direita diziam que a coisa iria “amarelar” de vez, no sentido popular de acovardar as necessárias responsabilidades.

Os de centro-esquerda reagiam vislumbrando neste amarelamento paulatino um amadurecimento democrático...

Em pouco mais de duas décadas, a esfera do jogo político deu uma volta completa. Girou mais um tanto inteiro para atingir a revolução cíclica completa dos 360º sem, contudo, saltar a cadência dos tons amarelados em cada quarto de volta...

De extrema-direita os governos passaram ao centro-direita e, a reação ainda moralizante daquela geração, expurgou, com caras pintadas de verde e amarelo, a corrupção collorida do Planalto... Adeus era collorida com dois ll e a duas cores também...

Um prenúncio de probidade, moralidade pública e ética social, pareciam que varreria o País com a vassourinha sonhada pelo ex-presidente Jânio Quadros... Até então, poder-se-ia dizer, parafraseando o próprio: “não fí-lo porque não quí-lo”...

Na transição da era collorida, as duas cores se misturaram e se confundiram... e a cor de “piriri” (diarréia em minereis) deu o tom pastel do deslocamento do poder do centro-direita para o centro-esquerda.

E lá se foram dois mandatos de colorido (sem os dois “ll”) em cima do muro, isto é, nem verde oliva nem amarelo ouro... em outras palavras: mais para marxista nas causas econômicas e mais para capitalista nas causas sociais...

Mas, como tudo passa, passou também o “piriri”...

E, finalmente, o giro do poder entrou na fração do terceiro quarto da revolução completa.

A esquerda ultra radical, que ajudou a pintar a cara da juventude de verde e amarelo há quase duas décadas, para expurgar a era collorida, recebeu nas urnas o voto amarelado (no sentido de amadurecido para uns e de acovardado - tipo tanto faz - para outros) daquela geração.

Agora predomina, sem sombra de dúvidas, o amarelo ouro-negro do pré sal...

Pouco falta para - a fração do terceiro-quarto - completar o ciclo completo no giro de 360º no deslocamento do poder em torno do próprio eixo, cumprindo, com regularidade diminutiva da ética e da moral, cada fração de quarto da rotação completa, a saber:

· Primeiro quarto do ciclo (1/4) – extrema-direita (militar-civil);

· Segundo quarto do ciclo (2/4) – centro-direita (civil-desmilitarizando);

· Terceiro quarto do ciclo (3/4) – centro esquerda (civil-desmilitarizada);

· Quarto quarto do ciclo (4/4) – esquerda, não extrema ainda... (civil-militarizante ???)

O ciclo do deslocamento do verde oliva para o amarelo ouro-negro (do pré sal) está se completando numa fantástica revolução em torno do próprio eixo. A ponto de parecer fazer as atenções de todo o globo girarem em torno do país-continente sul americano...

É... o Brasil saiu na frente com o vigor de sua juventude na corrida pelo ajuste na nova demanda global do terceiro milênio... consertou sua Carta Magna, hiper sensível ao maior drama do século passado: o super aquecimento da guerra fria...

Inaugurou uma espécie de terceira via mais prática que teórica e pulou sobre a cabeça dos gigantes... De Brasília, parece fazer ressoar a visão de Dom Bosco, como terra que haveria de fazer manar leite e mel...

E se tudo der certo... mel é que não vai faltar para lambuzar as fileiras do povo na prodigalidade corrupta do poder...

Aliás, curioso notar que, na medida em que o povo foi se fazendo representar no poder, a corrupção passou de tolerável (com austera punição militar) para praticável (com total impunidade civil)...

Exagero?

Veja a seguinte lista de casos de corrupção por décadas e tire suas próprias conclusões:

  • Década de 70 – 22 casos oficiais;
  • Década de 80 – 18 casos oficiais;
  • Década de 90 – 96 casos oficiais;
  • Recém terminada década de 2000 – 116 casos oficiai;

A corrupção pública, oficial, mais que quintuplicou...

Não me crê?

Então confira você mesmo a lista publicada no Wikipédia. O link eu forneço, é este: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_esc%C3%A2ndalos_pol%C3%ADticos_no_Brasil

Não vou nem me dar ao trabalho de analisar a recorrência dos nomes no giro do poder. Interessa-me aqui tão somente a lógica da corrupção na análise de conjuntura...

O que me salta aos olhos é doída conclusão que se segue...

Nós, brasileiros (não me excetuarei para ser perfeitamente honesto – 100% - ao menos uma vez na vida), achamos graça da maquiagem carnavalesca que fazemos na nossa índole corrupta, com a cor verde e amarela do “jeitinho brasileiro”...

Esta é a triste verdade!

Temos classe para maquiar nossa índole corrupta. Vira piada na maior cara de pau quando se trata dos nossos interesses particulares e pontuais, como se a gorjeta dada ao guarda de trânsito para “aliviar a nossa barra”, não pudesse, em absoluto, ser comparada com a corrupção pública das altas esferas do poder...

Já ouvi grandes colunistas arriscarem também um reconhecimento igualmente maquiado, para não caírem na impopularidade, admitindo que, os corruptos existem porque há os corruptores... como se ser corruptor fosse menos condenável que ser corrupto... Ora, tudo é corrupção!

Mas a verdade é muito mais dramática: somos corruptos e pronto! Não tem essa estória cheia de classe e “bom humor” de “jeitinho brasileiro” não...

Como eu não tenho popularidade nenhuma para perder - ao contrário já tenho uma gorda poupança de impopularidade - não vou maquiar nada... Essa é a nossa feiúra carnavalescamente enfeitada com plumas e paetês...

Vou narrar com todas as letras uma experiência que fiz na primeira viagem minha ao exterior em 2008.

Fui numa peregrinação aos lugares Santos da Fé Católica. Começamos por Roma. Visitamos a Terra Santa (uma Graça que, aturdido com o tumulto próprio de uma peregrinação de poucos dias e da brutal aridez geográfica, humana e religiosa do ambiente, achei sem graça. Mas, valeu!). Visitamos também locais santos na Itália, Portugal e Espanha que eram significativos para mim.

Mas minha maior surpresa: eu esperava uma renovação espiritual, depois de ter percorrido quarenta anos de travessia por um deserto existencial... Francamente eu esperava isto...

Imaginava sensibilizar-me com os lugares sagrados (não nego que uma ou outra coisa tocou-me profundamente). Esperava que fossem impressas em minha alma marcas potentes de consolações e Graças espirituais... A Escada Santa (do Palácio de Pilatos, por onde subiu Nosso Senhor) trazida por Santa Helena para Roma foi o lugar que me sensibilizou muitíssimo... Aguardo desta Santa, mãe e rainha do Grande Imperador Constantino, as necessárias Graças para a Obra dos Pequenos Monges do Pater Noster (nasci, cresci e fui ordenado Padre no Bairro Santa Helena, em Juiz de Fora-MG).

Bem, tais Graças Espirituais era tudo o que eu esperava dessa viagem... Mas, ao contrário das minhas românticas expectativas, o que mais me prendeu a atenção durante toda viagem e que me levou a refletir muito, muito mesmo, foi uma dura constatação de ordem temporal, percebida a partir dos espaços não edificados, sobretudo, na Europa...

Fiquei, no princípio, curioso. Depois, intrigado. Por fim, incomodado, perplexo e mesmo envergonhado de ser brasileiro...

Sou brasileiro com muito amor sim, mas não com muito orgulho - não por que não há coisas maravilhosas e admiráveis em nosso querido Brasil, pois há. Mas nada existe no mundo que mereça fazer-nos sentirmo-nos orgulhosos: o orgulho é um mal em si mesmo.

Ninguém pode sentir-se orgulhoso de algo sem estragar a beleza do que admira com este defeito íntimo. E principalmente se temos defeitos que maquiamos carnavalescamente... Aí é que não dá nem pra sentir sequer uma justa admiração...

E é falsa a idéia de que nos podemos “orgulhar” no “bom sentido” das coisas boas. Orgulho no “bom sentido”? “Santo orgulho”? Não existe isto! Orgulho é sempre um desvio na relação com o que se admira...

Seja como for, o que me causou perplexidade foi não identificar um único pedaço de chão – visto do alto ou da terra – por todos os lugares que passamos, que não havia cultivo da terra... Isto me assombrou! Maravilhou-me!

Para ser exato, havia sim... onde não havia cultivo com fim agrícola (mesmo em quintais com tratores pequenininhos) tinha uma edificação ou era um cantinho de mata preservada...

A princípio achei que era algo específico de certa região na Itália. Depois, viajamos quase 500 km (o que é significativo para um País do tamanho da Itália) e a única coisa que eu via pela janela do ônibus eram áreas cultivadas.

Passei a pensar que isto era uma característica específica do povo de minha ascendência. Mas não. Foi o que vi também em Portugal e na Espanha. Na Espanha inclusive me espantei com um engarrafamento... de tratores! Dá para acreditar?! Os tratores pareciam mais luxuosos que nossos carros... pelo menos foi a impressão que tinha vendo da janela do ônibus...

Fiquei estupefato: um engarrafamento quilométrico, semelhante em tamanho àqueles que ocorrem nas vias de principal acesso no Rio e em São Paulo... só que de tratores! É de não acreditar... mas eu vi com os olhos que a terra há de comer um dia! Ninguém me contou: eu vi!

Também vi à margem esquerda na travessia do deserto em Israel, no caminho para Jericó, todo cultivado para colheita... já havia ouvido falar, mas o contraste da aridez desértica da margem direita, com a plantação irrigada a conta gotas à margem esquerda, é inesquecível...

Maravilhado com o que via pensava: está explicado porque dizem que a Europa é primeiro mundo e desenvolvida! Estava explicado porque nosso Brasil era chamado de terceiro mundo e subdesenvolvido!

E agora, então, amarelinho, amarelinho... com o ouro-negro do pré sal, vamos colocar de vez o “burro na sombra”... sombra é o que não vai faltar neste continente de paraísos tropicais... nem “jeitinho brasileiro” para repartir os dividendos do ouro-negro multiplicando os cambalachos da fanfarra carnavalesca...

Não sei se Dom Bosco tinha isto em mente, mas, que aqui corre leite e mel, corre...

Pena que não corre apenas leite e mel...

Com este comportamento murmurante, reclamador, pronto para acusar a corrupção alheia ao passo que inerte para admitir as corruptelas pessoais, corre outra possibilidade em derredor do leite e do mel...

Corre-se o risco de, não acostumados a comer melado, nos lambuzarmos no desperdício até que uma organização qualquer de nações unidas - metidas a adultas - venha em nome dos direitos humanos universais roubar - debaixo do nosso nariz (a Amazônia que o diga) - as nossas riquezas e os nossos talentos, sob o verdadeiro pretexto de que não temos maturidade suficiente para cuidar do que é desse enorme paraíso tropical...

Mas aí, nesse caso, sem problemas se eles forem subornáveis, e “molharem bem a nossa mão”, não é mesmo?! Afinal, nenhum povo no mundo tem um “jeitinho tão brasileiro” como “nóis”...

A corrupção está na natureza íntima do brasileiro! Não se ofenda, também sou brasileiro...

Com a diferença que não pretendo mais mudar a corrupção notória dos notáveis, dou-me por contente se conseguir mudar a minha corrupção discreta, velada e muitas vezes maquiada com os tons verde e amarelo da alegria carnavalesca...

Pe. Frei Flávio Henrique, pmPN

Um comentário:

  1. Acredito que para mudar esta "corrupção discreta", com propriedade citada no final deste artigo; nos seja necessário efetivamente cumprir e respeitar o princípio/fundamento que a nossa Constituição Federal de 1988 (citada no começo deste artigo), de matiz nitidamente antropocêntrico, se comparada com a Constituição de 1967/1969, crava, desde logo, no inciso III de seu artigo. 1º; e que é o princípio da dignidade da pessoa humana ou cláusula geral de conformação - pilar sustentador de todo ordenamento jurídico pátrio. Princípio Jurídico Fundamental este que, mal comparando e, traduzindo em um sentimento cristão, traz em seu bojo, o que pode ser lido nas palavras de JESUS CRISTO ao asseverar-nos o primeiro e maior de todos os mandamentos: “AMAI O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO, E A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS”. Mandamento de difícil aplicação mas, solucionador de qualquer problema. Não concorda?
    Um forte abraço do Amigo
    Guilherme De Martin Ramos da Fonseca

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